Coluna do Fernando Kerr: Balanço do Rio Market? Fala com o Paulo Guedes

17 de dezembro de 2019 0 Por Jonas Filho

Contrariando a canção de Adriana Calcanhoto, segundo a qual “cariocas não gostam de dias nublados”, a sexta feira que abriu-se em sol no último dia do RioMarket 2019, começou um workshop sobre Gestão de Projetos em Audiovisual. Notável na primeira parte da apresentação, foi a constatação de que o audiovisual nacional, mais do que uma simples expressão de propriedade intelectual brasileira, constitui-se em uma indústria, com resultados comparáveis às indústrias metalúrgica ou tecnológica.
Mas por que o audiovisual não se restringe a uma manifestação cultural e artística, mas se expande a ponto de se transformar em uma atividade industrial? Leo Edde, presidente do Sindicato da Indústria Audiovisual, expôs algumas das razões. A produção audiovisual no Brasil congrega mais de 12 mil empresas, que são responsáveis por mais de 300 mil empregos. O setor recolhe mais de R$3BI em impostos diretos e indiretos. Em tamanho comparativo, é a terceira maior indústria do Brasil, e cresce surpreendentes 8,8% ao ano. A renúncia fiscal que a lei concede retorna em valor cinco vezes superior. E a parte gerida pelo Fundo Setorial do Audiovisual não vem do orçamento do Governo. O fundo é constituído pela CONDECINE, que é uma contribuição sobre todos os produtos audiovisuais exibidos em qualquer mídia. Quer dizer, é uma indústria gera seu próprio combustível.
Valor intangível é o da Propriedade Intelectual Brasileira. É preciso dizer que já em 1948, a Declaração Universal dos Direitos humanos afirma que todos têm o direito de participar da vida cultural de suas comunidades. Esse direito, em nossa constituição, se traduz na formulação de um Plano Nacional de Cultura que defenda e valorize o patrimônio cultural brasileiro. Mas isso não se restringe a considerações filosóficas. A afirmação da identidade cultural de uma nação pode permitir que ela tenha domínio sobre o mundo todo. Veja o caso dos EEUU que optaram por esse caminho há quase 80 anos. É claro que houve o período sombrio do macarthismo, em que se perseguia quem quer que tivesse a aparência de comunista ou esquerdista, quando se cometeram injustiças inomináveis. Mas o fato é que não há, no mundo de hoje, geração que não tenha sido influenciada pela cultura americana, aspergida pelo mundo por sua fortíssima indústria cinematográfica.
É uma pena que o gradiente positivo em todos os indicadores de qualidade e produtividade do cinema nacional seja interrompido por uma atitude de censura em todas as esferas da administração pública. Com uma evolução de 74 filmes brasileiros lançados em 2010 para 185 em 2018, e do investimento púbico de R$266 bilhões em 2010 para mais de R$1,2 bilhão em 2018, o valor adicionado à economia brasileira superou os 24 bilhões de reais. Já que o chefe do Executivo delega as questões econômicas ao ministro, que tal alguém dar um pulo no posto Ipiranga?

Fernando Kerr, roteirista, diretor de produção, especialista em marketing eleitoral, já esteve pelo Maranhão em diversas campanhas políticas. Especial para o Blog do Jonas Filho.

(Visualizações: 44 vezes | 1 visitas hoje)